A urbanização tem simplificado paisagens naturais, reduzindo a disponibilidade de recursos florais e de locais de nidificação para abelhas nativas solitárias. Esse processo contribui para o declínio desses polinizadores, essenciais para a manutenção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. Nesse contexto, áreas não convencionais, como terrenos vagos, podem atuar como potenciais refúgios funcionais e componentes de uma infraestrutura verde bee-friendly (amiga das abelhas). Objetivou-se neste estudo avaliar o papel de terrenos vagos como habitats para abelhas nativas solitárias em uma matriz urbana no município de Palhoça/SC. Dez terrenos padrão (300m²) que estavam vagos, foram selecionados aleatoriamente no bairro da Praia do Sonho, em Palhoça/SC. Durante os meses de dezembro/2025 a março/2026, esses terrenos foram avaliados, semanalmente, quanto aos parâmetros: composição florística predominante (ausente, monocotiledôneas e/ou dicotiledôneas), histórico de manutenção (aterramento, controle químico ou roçada mecanizada) e forma de utilização por abelhas nativas solitárias (não observado, forrageamento e/ou nidificação). Os terrenos avaliados apresentaram predominância de monocotiledôneas nativas e exóticas, tendo a roçada mecanizada como principal forma de manejo. Não foram observadas atividades de forrageamento ou nidificação nas áreas compostas exclusivamente por gramíneas, indicando possíveis limitações de recursos e de condições adequadas. Ninhos de abelhas nativas solitárias foram observados em metade dos terrenos analisados, inclusive naqueles que receberam controle químico ou aterramento. Estudos apontam que o manejo de baixa intensidade, como a roçada periódica, não promove distúrbios no solo capazes de comprometer a instalação e sobrevivência dos ninhos e favorece a diversidade vegetal. Os resultados desse trabalho evidenciam que esses terrenos possuem um grande potencial para compor uma infraestrutura verde bee-friendly. E, sua inclusão no planejamento urbano, através do manejo adequado e diversidade floral, pode contribuir para a conservação de polinizadores e para a construção de cidades mais sustentáveis e ecologicamente funcionais.
Comissão Científica
Maria Raquel Kanieski - Universidade do Estado de Santa Catarina – Udesc
Magda Cristina Villanueva Franco – Prefeitura de Joinville
Mauricio Bonesso Sampaio – Prefeitura de Maringá-PR
Marcelo Callegari Scipioni – Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC
Revisores
Angeline Martini - Universidade Federal do Paraná – UFPR
Flávia Gizele König Brun – Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR
Karin Esemann de Quadros – Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE
Ketleen Grala – UNIPAMPA
Maria Raquel Kanieski – Universidade do Estado de Santa Catarina – Udesc
Magda Cristina Villanueva Franco – Prefeitura de Joinville
Mauricio Bonesso Sampaio – Prefeitura de Maringá
Marcelo Callegari Scipioni – Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC
Marília Lazarotto - Universidade Federal de Pelotas – UFPel